{"id":903,"date":"2021-06-03T18:59:10","date_gmt":"2021-06-03T18:59:10","guid":{"rendered":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/?post_type=lsvr_notice&#038;p=903"},"modified":"2021-06-03T18:59:12","modified_gmt":"2021-06-03T18:59:12","slug":"santiago-do-norte-o-vilarejo-de-mt-que-quer-virar-cidade-no-rastro-da-soja","status":"publish","type":"lsvr_notice","link":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/noticias\/santiago-do-norte-o-vilarejo-de-mt-que-quer-virar-cidade-no-rastro-da-soja\/","title":{"rendered":"Santiago do Norte: o vilarejo de MT que quer virar cidade, no rastro da soja"},"content":{"rendered":"\n<p>Bairro de Paranatinga, a 520 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, cresce junto com o agroneg\u00f3cio da regi\u00e3o. Empres\u00e1rio est\u00e1 transformando fazenda em loteamento e sonha com munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas cidades de Mato Grosso s\u00e3o &#8220;filhas da soja&#8221;. Nasceram, cresceram e se enriqueceram por causa do agroneg\u00f3cio. E esse processo n\u00e3o chegou ao fim. O vilarejo de Santiago do Norte, a mais de 520 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, capital do estado, est\u00e1 vivendo o comecinho dessa expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os campos de soja avan\u00e7am em Mato Grosso. Em 2008, o gr\u00e3o ocupava quase 6 milh\u00f5es de hectares no estado. Em 2017, essa \u00e1rea se agigantou para mais de 9 milh\u00f5es de hectares. No&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/globo-rural\/noticia\/2019\/06\/09\/estradas-precarias-dificultam-avanco-de-cidades-filhas-da-soja-em-mt.ghtml\"><strong>caminho de 220 quil\u00f4metros de Sorriso at\u00e9 Santiago do Norte, pela BR 242<\/strong><\/a>, v\u00ea-se as grandes plan\u00edcies das planta\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m a pulveriza\u00e7\u00e3o de herbicidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Santiago do Norte recebe gente vinda de longe: do Paran\u00e1, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul. A trajet\u00f3ria dos pioneiros do lugar \u00e9 a hist\u00f3ria cl\u00e1ssica do nascimento e crescimento de muitas cidades brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o s\u00e9culo 16, motivos n\u00e3o faltaram para atrair exploradores: o ouro, o ferro, a borracha, o caf\u00e9. Os desbravadores de hoje est\u00e3o atr\u00e1s de uma vida melhor em Mato Grosso, atrav\u00e9s da riqueza da soja.<\/p>\n\n\n\n<p>A soja \u00e9 m\u00e3e de muitas cidades no estado e Santiago do Norte promete ser uma delas. Por enquanto, \u00e9 apenas um bairro do munic\u00edpio de Paranatinga, mas sonha alto e espera ver o que hoje \u00e9 loteamento transformado em lojas, pr\u00e9dios, casas, armaz\u00e9ns, condom\u00ednios fechados, aeroporto e estrada de ferro, para poder transportar a soja at\u00e9 o Maranh\u00e3o e, de l\u00e1, at\u00e9 o outro lado do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Longe de tudo&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>O projeto \u00e9 do empres\u00e1rio Odir Nicolodi, que diz que quer criar o novo munic\u00edpio porque o lugar &#8220;est\u00e1 longe de tudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu n\u00e3o posso sair daqui at\u00e9 Sorriso, a 220 quil\u00f4metros, ou ir at\u00e9 a sede do meu munic\u00edpio, que est\u00e1 a 160. Ent\u00e3o, a gente resolveu fazer uma cidade, como tantas outras que foram constru\u00eddas no Mato Grosso.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O que hoje \u00e9 o bairro de Santiago do Norte \u00e9 apenas um pedacinho na grande maquete que Odir planejou para a futura cidade. &#8220;\u00c9 uma cidade constru\u00edda para o agro, \u00e9 do agroneg\u00f3cio que est\u00e1 nascendo. Mas pode vir o pequeno comerciante, que tem um dinheirinho e monta uma padaria, uma farm\u00e1cia, e ele come\u00e7a a crescer&#8221;, sonha o empres\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio faz a cidade, mas quem a ajuda a fazer \u00e9 o pequeno. &#8220;O m\u00e9dio e grande produtor j\u00e1 est\u00e3o aqui. Tem soja, tem algod\u00e3o, tem gado. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos que incentivar o pequeno, para ele n\u00e3o sair da terra. Ele tem que estar aqui em roda, produzindo e vendendo dentro da vila&#8221;, afirma Odir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De hectare para m\u00b2<\/h2>\n\n\n\n<p>Todos os planos de cidade que est\u00e3o nos projetos e sonhos de Odir v\u00e3o caber dentro da fazenda da fam\u00edlia dele, numa \u00e1rea de 7,4 mil hectares. A \u00e1rea, que foi comprada em hectares, agora ser\u00e1 vendida por metro quadrado, em lotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Diego Oliveira da Rosa e Josi Fraga sa\u00edram de Igatu, no Paran\u00e1, s\u00f3 para conhecer o projeto de cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 vir para c\u00e1 e tentar alguma coisa nova aqui. Chegar e montar um com\u00e9rcio, igual tenho l\u00e1 [no Paran\u00e1] e que \u00e9 minha \u00e1rea, montar uma de material de constru\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Diego.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou agricultor l\u00e1, mas eu tamb\u00e9m tinha inten\u00e7\u00e3o de vir aqui e montar um com\u00e9rcio, ver o que precisa no munic\u00edpio, o que falta aqui e tentar nesse ramo&#8221;, emenda Josi.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gente de longe<\/h2>\n\n\n\n<p>Quem comanda a \u00fanica escola de Santiago do Norte \u00e9 a diretora Manuela Pacheco. Ela saiu de Pato Branco, no Paran\u00e1, e mora h\u00e1 12 anos no lugar. &#8220;Vim em 2006. N\u00e3o tinha luz el\u00e9trica, somente gerador 3 horas por dia. Essas foram as dificuldades&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai dela foi transferido para Sorriso e a fam\u00edlia deixou o Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O Sul fica meio estagnado, n\u00e3o tem para onde crescer, \u00e9 aquilo e pronto. [Falta] Qualidade de vida, aqui a gente ainda n\u00e3o tem m\u00e9dico, s\u00f3 posto de sa\u00fade.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A escola ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta, mas quase. Foram as pessoas da pr\u00f3pria comunidade que trabalharam para deix\u00e1-la como agora: com paredes de tijolos, vidros, portas, eletricidade. O b\u00e1sico para que os 304 alunos de pr\u00e9 at\u00e9 9\u00ba ano pudessem estudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Alunos e professores tamb\u00e9m vieram de longe. Do Sul, Nordeste, Centro-Oeste.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente tem alunos de todas as classes sociais. Desde de passar necessidade, at\u00e9 alguns de classe alta. Eles t\u00eam de conviver [com] tudo igual, n\u00e3o tem escola particular. O tratamento \u00e9 o mesmo, o uniforme \u00e9 o mesmo. Isso \u00e9 nossa diversidade&#8221;, diz a diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o existisse uma placa, o flamboyant vermelho seria a melhor indica\u00e7\u00e3o de onde fica a casa de Leda, a cabeleireira do vilarejo. Ela plantou a \u00e1rvore h\u00e1 17 anos, quando chegou por l\u00e1. \u00c9 uma das pioneiras de Santiago do Norte.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Santiago tinha uma meia d\u00fazia de casa. Na verdade, eu sou meio pioneira entre as pessoas que vieram distante daqui. Porque quando cheguei, eram poucas pessoas do lugar que moravam. A gente veio para c\u00e1 atr\u00e1s de melhoria, quando a gente ouviu falar bem do Mato Grosso. L\u00e1, meu marido era agricultor. A gente plantava soja e trigo, no inverno.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Vez ou outra o casal sofria com a lavoura, no Sul. Em um ano, era geada fora de \u00e9poca. Em outro, um temporal acabava com a colheita.<\/p>\n\n\n\n<p>Ednea e Osvaldo Correa sa\u00edram do Paran\u00e1 h\u00e1 30 anos para trabalhar na fazenda que Z\u00e9 Rico, da dupla sertaneja com Milion\u00e1rio, tinha na \u00e9poca. Ela, professora; ele, comerciante. H\u00e1 11 anos, chegaram a Santiago do Norte e abriram um a\u00e7ougue.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcondes de Campos \u00e9 hoje cozinheiro do melhor restaurante do local, mas originalmente trabalhava com comunica\u00e7\u00e3o. Foi gerente de r\u00e1dio por 10 anos e trabalhava na \u00e1rea de publicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cuida da comida e a mulher, Claudiana Cestari, administra o empreendimento, que fica na rua principal de Santiago do Norte. Os dois j\u00e1 est\u00e3o estabilizados e t\u00eam uma renda de cerca de 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas, que consideram suficiente para viver bem por ali.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>Odir, o empres\u00e1rio que planeja a cidade, j\u00e1 consegue ver o futuro de Santiago do Norte. Enxerga uma catedral para o santo, o ap\u00f3stolo Santiago, que veio da Espanha, onde hoje s\u00f3 se v\u00ea mata. Enquanto ela n\u00e3o fica pronta, a imagem tem o seu lugar na igrejinha da vila, onde a cabeleireira Leda ajuda o padre a rezar a missa.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a cidade n\u00e3o vira cidade, os dias ainda terminam com o horizonte largo, de onde ainda se v\u00ea o caminhar da chuva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/pFjDbv6iCj6JYvnVhZTzsNt8ZPg=\/0x0:1920x1080\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/F\/K\/JJv1QBQrCJH2bCWoguOg\/santiagodonorte.jpg\" alt=\"Santiago do Norte sonha deixar de ser uma vila para virar uma cidade de MT \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Santiago do Norte sonha deixar de ser uma vila para virar uma cidade de MT \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"template":"","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"lsvr_notice_cat":[61],"lsvr_notice_tag":[],"class_list":["post-903","lsvr_notice","type-lsvr_notice","status-publish","hentry","lsvr_notice_cat-santiago-do-norte"],"aioseo_notices":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/lsvr_notice\/903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/lsvr_notice"}],"about":[{"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/lsvr_notice"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"lsvr_notice_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/lsvr_notice_cat?post=903"},{"taxonomy":"lsvr_notice_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/santiagodonorte.eco.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/lsvr_notice_tag?post=903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}